domingo, 26 de fevereiro de 2012

Meteorologia

Cumulus congestus.

O ar está morno e parado. Não se abre um texto descrevendo as condições do tempo, diria este post se ele se chamasse algo como Os Dez Clichês Mais Comuns de Escritores Iniciantes ou Cinco Coisas que Fazem os Editores Jogarem Originais na Lata de Lixo. Mas o ar da cidade neste entardecer de domingo está parado mesmo, ora bolas, e isso me favorece. Porque ele está parado por preguiça, e um preguiçoso reconhece o outro. Neste momento, eu sou seu igual.
Espremida entre um bairro belo, um feio e um caro de São Paulo, minha rua a esta hora tem suas calçadas sobrevoadas em rasante por lentas cordas coloridas, cada uma delas trazendo em uma extremidade um cão e em outra um ser humano de chinelos. E eu, na modesta ida ao mercado para comprar alguma coisa que acompanhe um chimarrão de fim de tarde, encontro nisso ressonância. Nisso e na enome formação de nuvens que se ergue longe, atrás dos prédios. Uma daquelas torres brancas donas de um contorno tão nítido contra o fundo do céu que parecem feitas de sólido gesso e não vapor.
Ela, assim como o ar, assim como as calçadas, assim como as cordas, os cães, as pessoas e seus chinelos, tirava calma da preguiça enquanto esta lhe era autorizada. Antes da evolução do boletim meteorológico.
Eu a compreendo. Ela e o sobrevoo das cordas. E isso me favorece. Eu sou seu igual.

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