segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A galáxia artificial

E o céu da metrópole

O Planetário Professor Aristóteles Orsini, conhecido como Planetário do Ibirapuera, vai ficar temporariamente fechado entre hoje (14/12) e o dia 9 de janeiro de 2010 para manutenção preventiva.

Eu fui ontem assistir a uma das últimas apresentações de 2009, chamada O Lado Escuro do Universo, e deu para entender por que tanto cuidado com os equipamentos. O planetário é equipado com um projetor esférico Zeiss Starmaster, capaz de recriar no teto do lugar todas as constelações do céu noturno em qualquer época, com uma precisão e beleza de deixar qualquer um de olhos molhados.

É realmente uma experiência. As luzes se apagam, a música cresce e a Via Láctea brilha inteira, com seus milhões de astros num "céu" escuro e perfeito, em plena tarde de domingo. Como se fosse alta madrugada, e como se a pessoa estivesse muito longe de São Paulo.

Planetários são um desses sintomas engraçados da vida moderna. Nossas cidades cheias de lâmpadas e fumaça criaram uma noite parda e sem estrelas que nunca existiu antes. Aí inventamos lugares hi-tech onde entramos pagando ingresso e deitamos em poltronas de cinema sob um céu sintético, feito de luzes computadorizadas, lasers e LEDs. E saímos de lá (como aconteceu comigo) de queixo caído, abobalhados com a grandeza, a poesia, a elevação toda. Não seria ainda melhor apenas apagar a luz?

Marcadores: , ,

domingo, 23 de agosto de 2009

When We Left Earth - agora em DVD de banca

A revista SuperInteressante e o Discovery Channel lançaram nas bancas de jornais uma edição especial com dois DVDs contendo a íntegra do documentário When We Left Earth - The Nasa Missions. São dois discos vendidos separadamente por R$ 29,90 cada.



Valem cada centavo. O filme comemora os 50 anos da agência espacial norteamericana, com (horas e mais horas de) imagens de arquivos remasterizadas das missões Mercury, Gemini e Apollo. Coisas que nunca foram vistas antes, como as imagens da câmera de mão do astronauta Ed White mostrando o momento em que ele abriu a escotilha da sua cápsula para fazer a primeira caminhada espacial da Nasa. Os relatos vão desde o começo dos vôos tripulados ao espaço até os dias de hoje, com as missões de manutenção do telescópio espacial Hubble e os acidentes com os ônibus espaciais.

Trazendo entrevistas com grandes caras como John Glenn e Neil Armstrong, a produção lança um olhar inédito sobre a parte ocidental da exploração do espaço, alternando a potência do épico com a delicadeza do lírico num equilíbrio raramente visto em documentários, e com uma trilha sonora surpreendentemente inspirada.

Pena ainda não terem feito um registro do mesmo nível contando a história do programa espacial russo. Seja como for, When We Left Earth está nas bancas, é bom e o preço não é nenhum absurdo.

Marcadores: , , ,

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Astronomia a olho nu

Engana-se quem pensa que a astronomia exige sempre instrumentos caros e conhecimentos avançados. Às vezes, a beleza do universo está ao nosso alcance, exposta, escancarada. Nós, seres humanos, é que esquecemos como pode ser fácil olhar para cima, ocupados que estamos com nossos problemas, horários e compromissos na superfície deste grãozinho cósmico a que chamamos Terra.

Nos próximos dias, logo após o entardecer, onde quer que você esteja, olhe para o céu, na direção do poente. Nosso vizinho Vênus tem dado um espetáculo silencioso a cada cair de noite, com o brilho intenso que torna seu nome auto-explicativo.

Logo abaixo dele, um segundo ponto brilhante acena, quase ofuscado. É o gigante Júpiter, encolhido pela enorme distância de nós a que se encontra nesta época do ano, quando conduz uma lenta e pacífica passagem aparente pelo lado de lá do Sol.

Ontem, voltando para casa, parei por um minuto e tirei esta foto. Clique nela para ver a original no Flickr e acessar os tamanhos ampliados. E use-a como ração para a cabeça, como faço eu:

Planetas

Marcadores: , , , ,

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

InAbrupto recomenda

Se você tem TV a cabo, faça um favor a você mesmo e assista, no próximo domingo, à maratona de When We Left Earth (traduzido no Brasil como "Grandes Missões da Nasa"), minissérie de documentários do Discovery Channel que marca os 50 anos da agência espacial norte-americana. Faça isso especialmente se você acredita que o dinheiro gasto com vôos espaciais (e não a fortuna muito maior queimada todo dia em armas e corrupção) deveria ser usado para resolver os problemas do mundo.

A série conta a saga das missões tripuladas do programa espacial estadunidense desde os primórdios, com o projeto Mercury, até a atual era dos ônibus espaciais e do telescópio Hubble, passando pela exploração da Lua e o Skylab. São seis horas de imagens históricas restauradas em alta definição. Muitas - como as que foram filmadas pela câmera do próprio Ed White, primeiro americano a flutuar solto no espaço - jamais tinham sido exibidas ao público.

Com uma linguagem dramática e uma edição primorosa, When We Left Earth é o registro de uma das mais heróicas páginas da história recente contada pelos seus protagonistas. A obra inclui depoimentos de pessoas como John Glenn, primeiro americano a orbitar a Terra, e Neil Armstrong, numa das raríssimas aparições públicas desde 1969, quando foi o primeiro homem a pisar na Lua.

Só não esqueça de ligar a tecla SAP. Porque a dublagem, além de ser ruim e estragar toda a dramaticidade da narração original, ainda matou a trilha sonora. Aliás, podem levantar o volume. A música de When We Left Earth é digna de um épico do DeMille: às vezes grandiosa e inspiradora, outras delicada e poética, e maravilhosa do começo ao fim.

Marcadores: ,

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Fly-me-to

Fotografar é coisa nova pra mim. Comprei uma Cybershotzinha no final do ano passado e virei criança com brinquedo novo. Saio com ela no bolso por aí e fico clicando coisas e gentes e horas.


No fim de semana, veio o ócio me dar coceira no cérebro. Peguei uma lunetinha velha que eu tinha guardada num canto, fiz uma traquitana X para apoiá-la na grade da janela, focalizei a lua e pus a câmera contra a ocular.

Depois de atrolhar a memória da coitada com pretume absoluto e borrões brancos abstratos, consegui isto aqui.



Ficou quase completamente nítida e, depois de um ajuste photoshópico mínimo (leia-se, aumentar o brilho e o contraste), dá até para ver algumas crateras e montanhas.

Gostei. Flickerada, devidamente. Resolução decente aqui.

Marcadores: ,